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Moro em mim há anos e tem dias em que pareço visita
Texto por Fernando Lino Psicólogo e Psicanalista. "Há anos carrego esta casa de ossos e respiração, de alma e inquietação, mas certas manhãs o espelho me devolve um inquilino desconfiado, como se eu tivesse alugado o meu próprio corpo para um desconhecido que insiste em usar meus gestos. As mãos que escrevem não parecem minhas, a voz que atende ao telefone tem um timbre que não reconheço e, no entanto, sou eu quem paga o aluguel da memória, quem recolhe os cacos de cada dia,
Tauane Vieira
1 min de leitura


Pertencer é negociar com o desencaixe
Poucas experiências são tão constantes quanto a tentativa de encontrar um lugar no mundo. Na infância, ela aparece no desejo de ser escolhido. Na adolescência, na necessidade de pertencer a um grupo. Na vida adulta, pode se esconder no trabalho, nos relacionamentos ou nas escolhas que fazemos. No fundo, a pergunta permanece: onde existe um lugar para mim? A resposta nunca é simples. Todo pertencimento carrega uma inquietação, porque nenhum lugar é capaz de responder inteirame
Tauane Vieira
2 min de leitura


A poesia de existir diante de alguém
Há encontros que parecem durar apenas algumas horas. Outros permanecem muito depois que as pessoas vão embora. Existe algo que acontece sempre que voltamos a ocupar um lugar diante daqueles que, de alguma maneira, conhecem partes da nossa história. Levamos conosco uma memória afetiva que não cabe na consciência. Cada rosto desperta algo que, muitas vezes, nem sabemos nomear. Um irmão não é apenas um irmão; é também tudo aquilo que vivemos ao lado dele. Um pai nunca chega sozi
Tauane Vieira
2 min de leitura


Falar muda o lugar do Sofrimento
É pela palavra que o sujeito pode existir. Antes dela, há apenas o peso do indizível: aquilo que sufoca porque não encontra forma. Quando algo é dito, o sofrimento muda de registro; deixa de ser pura dor sem nome e passa a adquirir um contorno simbólico. A palavra não elimina o mal-estar, mas o reinscreve no campo da linguagem, onde pode ser escutado, interpretado e transformado. A fala não é mero relato, é construção. Cada vez que o sujeito fala, reescreve a si mesmo. O sint
Tauane Vieira
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A Cura e o Sintoma
Na psicanálise, o sintoma não é apenas algo que precisa desaparecer. Ele funciona como uma solução possível para conflitos que o sujeito não consegue elaborar de outra forma. É uma tentativa de equilíbrio, ainda que produza sofrimento. Por isso, abandonar um sintoma pode ser mais difícil do que parece. Quando ele deixa de existir, não se sabe exatamente o que será colocado em movimento no lugar. Algumas angústias que estavam contidas podem emergir com mais intensidade. A anál
Tauane Vieira
1 min de leitura


A Psicanálise só se ocupa do Passado?
Dizer que a psicanálise se ocupa apenas do passado é reduzir algo muito mais complexo. O inconsciente não funciona como um calendário: para ele, certas experiências continuam vivas, mesmo depois de muitos anos. Aquilo que foi marcante na infância, por exemplo, pode seguir produzindo efeitos no presente sem que a pessoa perceba. Por isso, muitas vezes repetimos escolhas, emoções e conflitos sem entender exatamente de onde vêm. Mas a análise não fica presa ao que passou. O pres
Tauane Vieira
1 min de leitura
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