Falar muda o lugar do Sofrimento
- Tauane Vieira
- 20 de mai.
- 1 min de leitura
É pela palavra que o sujeito pode existir. Antes dela, há apenas o peso do indizível: aquilo que sufoca porque não encontra forma. Quando algo é dito, o sofrimento muda de registro; deixa de ser pura dor sem nome e passa a adquirir um contorno simbólico. A palavra não elimina o mal-estar, mas o reinscreve no campo da linguagem, onde pode ser escutado, interpretado e transformado.
A fala não é mero relato, é construção. Cada vez que o sujeito fala, reescreve a si mesmo. O sintoma, antes pura repetição, encontra uma brecha: torna-se significante, passa a dizer algo. O sofrimento desloca-se do corpo para o discurso, permitindo que o inconsciente se revele não como verdade definitiva, mas como movimento.
Há também, na fala, um atravessamento da resistência. O sujeito só pode se transformar quando ousa dizer aquilo que não queria saber de si. É nesse ponto que a análise acontece: quando o discurso escapa ao controle e revela o que o eu tenta esconder. O lapso, o tropeço, a palavra mal colocada, justamente aí emerge algo do real do sujeito.
O sofrimento escutado já não ocupa o mesmo lugar. A fala inaugura outra relação com o desejo. E é nesse deslocamento que o sujeito, enfim, começa a se mover.


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